sexta-feira, 28 de agosto de 2009

sugestão de leitura: A Hora da Estrela, de Clarice Lispector.

Depois de muitos anos encontrei esse livro na minha estante, faz uns oito anos que li A Hora da Estrela, de Clarice Lispector e relendo-o vi como ele é aparentemente simples, mas complexamente instigante. Quem ainda não conhece, vale a pena lê-lo.
A história da nordestina Macabéa é contada passo a passo por seu autor, o escritor Rodrigo S.M. (um alter-ego de Clarice Lispector), de um modo que os leitores acompanhem o seu processo de criação. À medida que mostra esta alagoana, órfã de pai e mãe, criada por uma tia, desprovida de qualquer encanto, incapaz de comunicar-se com os outros, ele conhece um pouco mais sua própria identidade. A descrição do dia-a-dia de Macabéa na cidade do Rio de Janeiro como datilógrafa, o namoro com Olímpico de Jesus, seu relacionamento com o patrão e com a colega Glória e o encontro final com a cartomante estão sempre acompanhados por convites constantes ao leitor para ver com o autor de que matéria é feita a vida de um ser humano.


“Escrevo neste instante com algum prévio pudor por vos estar invadindo com tal narrativa tão exterior e explícita. De onde no entanto até sangue arfante de tão vivo de vida poderá quem sabe escorrer e logo se coagular em cubos de geléia trêmula. Será essa história um dia o meu coágulo? Que sei eu. Se há veracidade nela – e é claro que a história é verdadeira embora inventada – , que cada um a reconheça em si mesmo porque todos nós somos um e quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa que ouro – existe a quem falte o delicado essencial.”

Veja no link abaixo uma entrevista que Clarice Lispector concedeu em 1977, pouco antes de falecer:
http://www.youtube.com/watch?v=9ad7b6kqyok

leitura complementar: crônica "Minha Vizinha Especial"

[sei que esse não é um blog pessoal e sim de trabalho, de um grupo, mas quero apresentar essa crônica que fala de algo que toca em mim de uma forma especial, por falar de "sinceridade", que talvez o seu (sinceridade) excesso tenha sido o meu maior pecado nessa vida.]
Minha vizinha especial

Sábado, 1º de agosto. O relógio digital, ao lado da cama, pulsa em rubros arábicos 7h00AM. Nietzsche, nigérrimo gato com potentes olhos de farol, aguarda pacientemente o meu despertar, na clássica posição de deusa Bastet. Quando abro os olhos, salta, ágil e gracioso, sobre mim. Rotina matinal invariável.
Nesse sábado, estilhaçada pelo som da campainha. Insistente. Levanto-me cambaleante de sono e dirijo-me à porta, com Nietzsche a mordiscar meus calcanhares. Aguarda-nos o radioso sorriso de Brena. Minha vizinha especial. Acena-me com um pequeno retângulo de papel vermelho, decorado com personagens infantis da sua predileção, Pucca e o gato Mio:
_Hei, Jeanne! Hoje é o dia do meu aniversário. Trouxe o convite para a festa.
_Hum parabéns! Quantos anos?
_Dezenove. Você vai à minha festa?
_Talvez eu não possa ir, Brena, mas prometo-lhe um presente. Que tal?!...
Brena encanta-se, como habitual, com o Nietzsche, cópia viva do gato Mio estampado no convite. Acaricia-o. Nietzsche ronrona. Os dois – menina&gato – trafegam pela via alfa da comunicação. Mágica interatividade! Minha vizinha especial tem Síndrome de Down. Quando surpreende alguém a olhá-la fixamente, informa célebre e segura: “Sou especial, mas não diferente!”
“Especial”, segundo Houaiss, significa: “coisa ou pessoa em particular; exclusivo de determinado individuo; ótimo; excelente; que desperta ou evoca coisas boas”. Tem razão, a Brena. Ela é mesmo especial. Molda-se, à perfeição, aos significados dicionarizados. E em mim, particularmente, “desperta ou evoca coisas boas”.
Nesses dois anos de convívio encontro-a no elavador, na garagem, na portaria do prédio aguardando o transporte que vai conduzi-la à escola da rede municipal de Vitória, onde cursa a 7ª série, em perfeita inclusão com os demais alunos -, Brena provou ter o dom de acordar-me a ternura, o encantamento e a poesia. Compaixão? Jamais! Disso, ela não necessita. Estar com a Brenda é banhar-se na essência da pureza. Candura. Além de submeter-nos ao exercício da sua gratínia autenticidade. Quando emite opiniões, extrai o âmago mais recondito das coisas e pessoas. Elimina as “capas” civilizacionais que nos revestem. Seu olhar raio X nos atravessa. Alie-se uma outra característica marcante: intensidade. Quando Brena canta – ouço-a daqui, na biblioteca -, canta em plenos pulmões. Quando dança - e ela adora dançar!-, põe toda a alma. Brena vivencia, no seu cotidiano, os versos de Fernado Pessoa: “Para ser grande, sê inteiro: nada teu, exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és no mínimo que fazes”.
Somente à noite, retorno ao prédio. Dirijo-me ao salão de festas. Os convidados já se foram. Ali, apenas a mãe, o padrasto e a avó. E súbito, surge a aniversariante. Bela. Lembra-me as míticas princesas dos contos de fada. Beijo-a, entregando-lhe o presente.
_Uau!... Lindo, Jeanne! Olha mãe, que lindo!...
Despeço-me. No instante em que abro a porta do elevador, Brena grita:
-Hei Jeanne, eu te amo!
Meus olhos marejam-se. Sei da surprema sinceridade da minha vizinha especial. E relampeja-me, num calafrio, a frase do escritor e cineastra Domingos de Oliveira: “A única coisa que ainda escandaliza hoje em dia é a sinceridade”.
CRÔNICA: Jeanne Bilichi_Jornal A Gazeta. 16 de agosto de 2009.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

atividade 02 - renascimento

Observe atentamente a imagem abaixo para responder às questões de 1 a 3:

[Ticiano, Amor sagrado e profano, 1514]
1 . Descreva os elementos que compõem a cena representada no quadro Amor Sagrado e Profano, do pintor renascentista Ticiano.
.: Que relação você percebe entre o título do quadro e acena nele aopresentada?

2 . A criança que brinca com a água da fonte, entre as duas mulheres, é uma representação do Cupido. Observe a posição central que ocupa no quadro. O que ele pode simbolizar na pintura?

3. O tema desse quadro revela a influência dos ideais estéticos que marcaram a época em que Ticiano viveu? Por quê?

aula 06: classicismo - renascimento

Esta lição visa mostrar como o classicismo surgiu, em que época ele foi mais forte e de onde ele tem maior influência. Também como afetou a sociedade da época. E como este termo pode ser aplicado. Quais foram os principais autores. E uma pequena ênfase em Luiz de Camões.


CLASSICISMO

ORIGEM E CONTEXTO HISTÓRICO

Durante o século XIV, a Europa começava a se preparar para uma grande transformação política, econômica e cultural que teve seu auge ou apogeu nos séculos XV e XVI, chamado de classicismo, também conhecido como quinhentismo, já que se manifestou no século XVI, em l527, quando o poeta Sá de Miranda retornou da Itália trazendo as características desse novo estilo. este fato marcou o início dos tempos modernos. Esse período, pela história passa a ser conhecido como Renascimento, onde o homem passa a ser redescobrir, mudar de valores ter uma nova visão do mundo.

A sociedade que era dominada pelo teocentrismo medieval passa a dar lugar ao antropocentrismo, ou seja, a valorização do homem, onde o homem passa a ser o centro dos estudos e a exaltação da natureza humana, pois o homem começa a entender sua capacidade realizadora:ele pode conquistar, inventar, criar, produzir e fazer qualquer outra coisa. Esse caráter humanista ou antropocêntrico estava esquecido nas "trevas" da Idade Média, embora já estivesse existido na Antigüidade clássica, como exemplo na civilização grega. No início do século XVI, ocorre o renascimento do Antropocentrismo. No Renascimento, as obras passam a perder o primitivismo e a ingenuidade das obras medievais e a ganhar um aprimoramento técnico igual ou até superior as obras da antiguidade.

O homem do Renascimento se identifica na cultura greco-latina que passa a ser os valores da época. Além de Integrar a seu universo artístico os deuses da mitologia grega,isto porque os deuses tem características humanas, como por exemplo, sentimentos, o homem renascentista procura compreender o mundo sob a luz da razão, e faz a associação do equilíbrio entre razão e emoção, as noções de beleza, bem e verdade.

A concepção estética que teve a base no Humanismo e no Renascimento convencionou-se chamar Classicismo, isto porque os clássicos eram os antigos filósofos greco-latinos que por sua influência e saber poderiam ser considerados importantes ao ponto de serem estudado em “classes”.

Classicismo e seu significado
Este termo também teve alguns significados, poderia referi-se a um escritor aristocrático.
pintura típica do classicismo

Outra definição pode ser o classicismo como conjunto de caracteres estéticos, definindo o estilo cultural, artístico e literário de um período, por oposição ao barroco, ao romântico.

Os termos :clássico e classicismo também podem ser empregados a partir de uma mistura de definições de valores, como se arte greco-romana estabelecesse um padrão para toda a arte produzida posteriormente , e periodização histórica.

A oposição clássico/ romântico permitiria explicar, no limite, o desenvolvimento das artes e da cultura na Europa.



CARACTERÍSTICAS
» Imitação dos autores greco-latino: como exemplo: Homero, Aristóteles, que eram gregos; Cícero, Virgílio, Horácio que eram latinos.

Um exemplo da influência desses autores pode ser vista em um trecho do poema de Camões,abaixo :

“As armas e os barões assinalados
Que, da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Traprobana,
(Camões, Os lusíadas)

» Preocupação com a forma: Rígida exigência quanto a métrica e a rima dos poemas; acentuada preocupação com a correção gramatical, principalmente com a clareza na expressão do pensamento, a sobriedade e a lógica; preocupa-se com a observância das distinções ou diferenças entre os gêneros literários.
» Construção frasal: ocorre a inversão dos termos na oração e de outras no mesmo período, isto devido a influência latina.
» Utilização da mitologia greco-latina: para dar um efeito mais artístico, porque os personagens mitológicos simbolizam ações, demonstram sentimentos e atitudes humanas.
» Universalidade e impessoalidade: ampla preocupação com as verdades eternas e universais, não levando em conta opiniões particulares e o pessoal, não se tem opinião do autor.
» Temas de interesse da época: como os descobrimentos e as expansões marítimas.
» Idealismo: A arte clássica era naturalista e objetiva; a realidade era idealizada pelo artista. A mulher amada era descrita como um ser celestial, igual aos anjos; a natureza era vista como uma região paradisíaca, onde a paz e a harmonia de bosques e florestas eram mostradas.



PRINCIPAIS AUTORES PORTUGUESES
Luís Vaz de Camões: (1525?-1580), O escritor mais conhecido e destacado do classicismo português. Escreveu poesias líricas e épicas, além de várias peças teatrais. A obra Os lusíadas, foi publicada em 1572 , mostra muito bem como era a visão do mundo e dos homens na época, algo próprio do classicismo. Serviu como matéria informativa, ou melhor, como uma reportagem de um dos fatos mais importantes da história portuguesa. O poema tem como tema principal a narração da viagem de Vasco da Gama as Índias,o enfoque maior é no povo português, em como conseguiu conquistar novas terras, por isso o enfoque é no povo e não em alguém específico.

Francisco de Miranda: (1495-1558), seus trabalhos giraram em torno da poesia e a comédia. Por ter vivido algum tempo na Itália, ele introduziu em Portugal o soneto,uma nova forma poética com base na arte renascentista.

Bernardim Ribeiro: (1482-1552), sua obra de destaque foi Menina e Moça, publicado em 1554.

Antônio Ferreira: (1528-1569), Sua obra principal foi A castro (ou Tragédia de d.Inês de Castro), escrita em versos, publicada em 1587, em Portugal.

Como Luis de Camões foi o mais destacado e conhecido poeta português deste período, será dado maior ênfase a ele.

CAMÕES LÍRICO
A base do amor para os poetas clássicos fundamentava-se, em três pensamentos diferentes: o racionalismo, a idealização e o espiritualismo.

Outro poeta que influenciou os poetas portugueses, foi o filósofo grego Platão.

PLATONISMO
Platão, (129-347 a.C), influenciou muitas das poesias de Camões. Principalmente no que se refere a Beleza e ao Amor. Para Platão,que tinha um pensamento meio espiritual, nossa alma, que segundo ele está presa ao corpo na vida terrena, passa a ligar-se a beleza, isto porque a pequena memória de uma Beleza soberana contemplada em outro universo. O amor platônico é na verdade, a supremacia em direção a Beleza que ultrapassa a pessoa e os prazeres dos sentidos

domingo, 2 de agosto de 2009

atividade: 01 - renascimento

Composição: Rita Lee / Roberto de Carvalho / Arnaldo Jabor
Amor é um livro
Sexo é esporte
Sexo é escolha
Amor é sorte...
Amor é pensamento
Teorema
Amor é novela
Sexo é cinema..
Sexo é imaginação
Fantasia
Amor é prosa
Sexo é poesia...
O amor nos torna
Patéticos
Sexo é uma selva
De epiléticos...
Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval
Oh! Oh! Uh!
Amor é para sempre
Sexo também
Sexo é do bom
Amor é do bem...
Amor sem sexo
É amizade
Sexo sem amor
É vontade...
Amor é um
Sexo é dois
Sexo antes
Amor depois...
Sexo vem dos outros
E vai embora
Amor vem de nós
E demora...
Amor é cristão
Sexo é pagão
Amor é latifúndio
Sexo é invasão
Amor é divino
Sexo é animal
Amor é bossa nova
Sexo é carnaval
Oh! Oh! Oh!
Amor é isso
Sexo é aquilo
E coisa e tal!
E tal e coisa!
Uh! Uh! Uh!
Ai o amor!
Hum! O sexo!

Rita Lee apresenta nessa canção, várias definições para amor e sexo. Essa distinção entre os dois termos definidos pode representar a visão contemporânea da diferença entre o amor platônico e profano? Justifique com elementos da letra.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

leitura complementar: ortografia


leitura complementar: ritmo e métrica poética

Ritmo e Métrica Poética

1- POEMA OU POESIA

Tem-se a partir ou não do trabalho artístico dos versos as concepções de:

1.1- prosa poética ou poesia livre ou simplesmente poema – é o texto onde o que conta é o conteúdo envolvendo sentimentos profundos vindos da percepção humana do mundo e de si mesmo, considerada, por muitos, como uma poesia contextual;

1.2- poesia, que apresenta o trabalho artítico-lingüístico nas palavras da poesia de modo a ajustar o conteúdo em rima e/ou métrica (há poesias com métrica e sem rima, e vice-versa), podendo nem sempre falar de sentimentos e belezas, até mesmo descrevendo objetos.

Uma poesia é dividida em estrofes e versos. Estrofe é um conjunto de versos. Verso é cada linha da poesia.

2- ASPECTOS TÉCNICOS DO TEXTO POÉTICO

Muita dúvida é gerada quanto aos aspectos técnicos da poesia. Neste texto, tenta-se explicar isso do modo mais simples possível.

2.1- Estrofação: a divisão de uma poesia em estrofes.

De acordo com o número de versos, uma estrofe pode ser:
Monóstico: estrofe de um verso;
Dístico: dois versos;
Terceto: três versos;
Quadra (quarteto): quatro versos;
Quintilha: cinco versos;
Sextilha: seis versos;
Septilha: sete versos;
Oitava: oito versos;
Nona: nove versos;
Décima: dez versos numa estrofe.

2.2- Métrica Poética do Verso

A divisão e a contagem das sílabas poética de um verso também pode ser chamada de escansão ou métrica poética. Metrificar ou escandir versos, então, é dividir silabicamente um verso poético.

A métrica poético-silábica é diferenciada da regra comum gramatical. Contam-se as sílabas até a última sílaba tônica do verso, dado a sobressair-se sonoramente em relação à(s) posterior(es). Os encontros vocálicos entre as palavras são fonemas aglutinados durante a declamação do verso. Quando há vírgula entre o encontro de vogais, não há aglutinação. Por causa da vírgula, que continua valendo como uma pausa na leitura, costuma não haver a aglutinação durante a declamação.


Quanto ao número de sílabas, um verso pode ser:
Monossílabo: uma sílaba poética;
Dissílabo: duas sílabas;
Trissílabo: três sílabas;
Tetrassílabo: quatro sílabas;
Pentassílabo (redondilha menor): cinco sílabas;
Hexassílabo: seis sílabas;
Heptassílabo (redondilha maior): sete sílabas;
Octossílabo: oito sílabas;
Eneassílabo (jâmbico): nove sílabas;
Decassílabo: dez sílabas;
*Na forma clássica, os versos versos decassílabos podem ser: heróicos, quando apresentam uma tônica 6ª e 10ª sílaba do verso; e sáficos, se as tônicas forem na 3ª ou 4ª, 8ª e 10ª sílabas.
Hendecassílabos (datílicos): onze sílabas;
Dodecassílabos: doze sílabas;
* Na forma clássica, os versos dodecassílabos, são chamados alexandrinos e apresentam tônica na 6ª e 12ª sílabas e tem uma cesura, ou seja, uma pausa marcada (normalmente, por vírgula) depois da sexta sílaba, separando-o em seis sílabas poéticas de cada lado.
Bárbaros: com mais de doze sílabas.

Atualmente, muitos poemas se apresentam sem métrica ou apresentando uma métrica variada, combinada com cadências musicais, outros seguindo a tradição dos poemas românticos e clássicos que normalmente apresentavam poemas com versos específicos: decassílabos (10), dodecassílabos (12), podendo apresentar variações de pentassílabos (5) e hexassílabos (6).

A / mor / é / fo / go / que ar / de / sem / se / ver / 10
é / fe / ri / da / que / dói, / e / não / se / sen / te 10
(Camões)

Nós / so / mos 2
de u / ma / ge / ra / cão / pós / guer / ra, 7
de u / ma / ge / ra / ção / pós / Cris / to, 7
de u / ma / ge / ra / ção / pós / Bea / tles. 7
Nós / so / mos... 2
Nós / so / mos 2
um es / to / pim / bem / cur / to, 5
u / ma / bom / ba, 3
pres / tes / a ex / plo / dir 5
(Música MPB: Geração, de Biné Zimmer)

2.3- Rima Poética

Rimas são sons coincidentes que apresentam uma cadência sonora na poesia.
Versos denominados versos brancos são os que não rimam com nenhum outro.
Levando em consideração os versos que rimam, pode-se classificar a rima em:

Se uma lágrima as pálpebras me inunda, A
Se um suspiro nos seios treme ainda, B
É pela virgem que sonhei!... que nunca A
Aos lábios me encostou a face linda! B
(Lembrança de Morrer: Álvares de Azevedo)

A estrofe acima apresenta rima alternada em seus versos.
Alternada: em versos alternados, ou seja, salteados por outro verso. A – A / B – B

De tudo, ao meu amor serei atento A
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto B
Que mesmo em face do maior encanto B
Dele se encante mais meu pensamento. A
(Soneto da Felicidade, Vinícius de Moraes)

A estrofe acima apresenta rima interpolada por rima emparelhada.
Interpolada: em versos interpolados por mais de um verso. A – – A
Emparelhada: em versos consecutivos. BB

Na poética moderna, é comum o uso de rimas mistas.
Mistas: as rimas da poesia não seguem esquematização regular, como as anteriores.

Embora incomuns, existem as rimas continuadas.
Continuada: rima repetida ao longo do poema. Supostamente, num soneto, seria assim: AAAA AAAA AAA AAA

Rima Gramatical: de acordo com a classe gramatical das palavras que rimam no final dos versos, a rima é classificada?
Pobre: quando as palavras de mesmo som no final dos versos têm a mesma classe gramatical.
Rica: quando as palavras de mesmo som no final dos versos têm a classe gramatical diferente.

São consideradas rimas internas dos versos, ou seja, acontecem no próprio verso, não de um verso com o outro:
Aliteração: é a repetição constante de um mesmo fonema consonantal.
"Vozes veladas, veludosas vozes..." (Cruz e Souza) Aliterações v (s z, com som de s)
Assonância: é a repetição constante de um mesmo fonema vocálico.

3- PRINCIPAIS FORMAS ATUAIS DE PRODUÇÃO POÉTICA

Atualmente, a linguagem poética tem apresentado as seguintes variantes:
3.1- Poema Livre: sem regras específicas de forma e métrica poética.
3.2- Dueto: em qualquer das formas, produzido por 02 escritores.
3.3- Haicai : poesia de uma única estrofe, com versos divididos em 5, 7, 5 sílabas poéticas.

Surgiu no Japão, com Bashô, que criou a forma métrica 5 – 7 – 5. A essência de seu conteúdo é a pureza, a beleza, como uma estrofe inspirada, normalmente abordando elementos da natureza, como as estações do ano, as águas de um rio, o estopim de um vulcão, a calmaria no mar, uma tempestade.

No Brasil, a forma mais apreciada é a de Guilherme de Almeida, ou o chamado Haicai Guilhermino, com a forma métrica também em 5 – 7 – 5, mas com o primeiro verso rimando com o último e o segundo verso apresentando uma rima interna na segunda e na sétima sílaba poética.

"O sol apressado,
espalha a doirada toalha
sobre o chão molhado."
Eno Teodoro Wanke.

3.4- Soneto: poesia formada por dois quartetos e dois tercetos, normalmente, composta por versos decassílabos (soneto heróico, de 10 sílabas poéticas) e de conteúdo lírico ou rimado.

Surgiu na Itália, no século XII. Sua criação, inicialmente, foi atribuída a Píer della Vigna. Atualmente, estudiosos inclinam-se a considerar que Giacomo da Lentino seja o inventor do soneto.

Já foram feitos sonetos de várias métricas, até o dodecassílabo (alexandrino, de 12 sílabas poéticas). Quanto à rima, tem apresentado variações, inclusive, já existe soneto de versos brancos, ou seja, sem rima.

Dentro da poesia, até os dias atuais, é considerado uma obra de arte destacada.

Ex. Ambitio, por Marco Bastos

Ambitio

tanto peca o pecador como o pecado,
tanto sofre o sofredor como o sofrido.
nesse mundo divisor, calor mal dividido,
sofre o homem que inventou o inventado.

sofro a dor do nascimento ao ter nascido,
choro o pranto e o pranto é desabrido.
quem me dera pudesse ser na humanidade,
a eqüidade, o bom sentido, só bondade.

olho-no-olho, que não fosse...dente-por-dente.
fosse o homem outro homem, independente,
e explorasse bem a Terra, palmo a palmo.

vivesse o homem só amor e seu trabalho,
e que o ferro fosse a faca, não o talho.
- fosse calmo o tempo e o vento...fosse salmo...

(Marco Bastos)

3.5- Rondel: poesia formada por duas quadras e uma quintilha.

Surgiu na França, no século XIII. Não há variações na sua forma. Os dois primeiros versos da primeira quadra, se repetem nos dois últimos versos da segunda quadra. O primeiro verso do poema, também costuma ser o último.

Ex. A Felicidade Está..., por Esther

A felicidade está...
Nas coisas simples da vida.
Salto alto, pé encurvado,
falsa imagem à passar...

Crescer e decrescer por não descer...
Passar o tempo, sem enxergar,
A felicidade está...
Nas coisas simples da vida.

Andar na chuva, cabelos soltos
sentir o chão, nele plantar,
banho de rio, sentir o vento...
E saber que no bem viver,
A felicidade está...

3.6- Rondó: poesia com estrofação composta por quadras.

Surgido na França, na mesma época do Rondel , como um ritmo que acompanhava a dança de nome “Ronde”.

Ex. Rondó de Natal, por Ana da Cruz e Hildebrando Menezes

3.7- Vilanela: poesia formada por uma quadra e vários tercetos (sem número definido), com a métrica de versos em redondilha maior (7 sílabas), e a rima alternada. O primeiro e o terceiro verso da primeira estrofe aparecem alternadamente como último verso nas estrofes seguintes.

3.8- Indrisso: poesia de quatro estrofes, com duas estrofes maiores de mesmo número de versos; seguidas por duas estrofes menores de mesmo número de versos, tipo duas estrofes de quatro versos, seguidas por duas de um (44 11) e demais possibilidades (33 22 - 22 11 - 33 11).

Criado, no século XX, na Espanha, por Isidro Iturat, na década de 70, quando este autor, repensando a forma do soneto, resolveu fazer esta variante, que caiu no gosto de outros autores.

3.9- Acróstico: poema que cujos versos formam, verticalmente, com as letras iniciais, uma palavra, pensamento ou nome próprio.

Não se sabe precisar a data de criação desta forma literária nem seu criador, mas acredita-se que tenha nascido de uma homenagem, feita de uma maneira lúdica, mais solta, de um escritor brincando com as palavras.