Todos os povos tem as suas narrativas. A forma como as organizam pode variar, os meios através dos quais circulam podem ser diferentes, mas o fato é que contar histórias parece ser uma atividade própria da natureza humana.
Dos poemas orais ao romance contemporâneo, a literatura registra a trajetória das narrativas e seu estudo nos ajuda a compreender as mudanças formais e de conteúdo por que passaram.
As narrativas mais antigas apresentam uma característica comum: todas contam os feitos extraordinários de um herói.
>>> Os longos poemas narrativos, em que um acontecimento histórico protagonizado por um herói é celebrado em estilo solene, grandioso, são chamados de épicos ou epopeias. O temo deriva do grego épos, dentre os seus significados, que dizer palavra, verso, discurso.
Observe a cena de abertura da Odisseia, podemos identificar algumas das características típicas da épica:
Musa, reconta-se os feitos do herói astucioso que muito
peregrinou, dês que esfez as muralhas sagradas de Troia;
muitas cidades dos homens viajou, conheceu seus costumes,
como no mar padeceu sofrimentos inúmeros na alma,
para que a vida salvasse e de seus companheiros a volta.
(Homero, Odisseia.)
O poeta pede inspiração as musas para contar a história de um herói, Odisseu (também chamado de Ulisses), que peregrinou por muitas cidades e sofreu terríveis provocações desde que desfez as muralhas sagradas de Troia. Aí sua superioridade diante de outros homens.
A estrutura do poema épico
Toda epopeia apresenta uma organização interna. Como se trata de um poema longo, a epopeia é dividida em várias partes, denominadas cantos. Na estrutura da epopeia, os cantos são organizado de modo a cumpir funções preestabelecidas:
Proposição: o poeta define o tema e o herói de seu poema.
Invocação:o poeta pede a musa ( divindade inspiradora da poesia) que lhe inspire, para desenvolver com maestria o tema de seu poema.
Narração: o poeta narra as aventuras de seu herói.
Conclusão: o poeta encerra sua narrativa, após relatar os feitos gloriosos que marcaram a trajetória de seu herói.
O genero lírico
Na Grécia Antiga, as epopeias cumpriram um importante papel de divulgar os ideais e valores que organizavam a vida na polis (em grego, cidade ou estado). Os poemas épicos, porém, não respondiam ao anseio humano de expressão individual e subjetiva.
A poesia lírica surge como uma forma de atender a esse anseio. Ela se define pela expressão de sentimentos e emoções pessoais. Uma outra marca característica de sua estrutura é o fato de dar voz a um sujeito lírico, diferente da narração impessoal própria da épica.
Em uma tentativa de explicar a relação entre poesia e a expressão de sentimentos, o poeta norte-americano Robert Frost dizia que o poema nasce de um nó na garganta, de um sentimento de que algo está errado, das saudades de casa, das amarguras do amor, para ganhar forma no pensamento, que encontra as palavras exatas para expressá-lo.
As primeiras manifestações líricas
No início, os poemas líricos eram cantados, geralmente acompanhados pela lira, um instrumento musical de cordas. Foi do nome desse instrumento que derivou a denominação do gênero literário como lírico.
A separação entre poesia e música só aconteceu depois da invenção da imprensa, no século XV, quando a cultura escrita passou a prevalecer sobre cultura oral. É por essa razão que, para os antigos, a lírica é sempre associada a música e ao canto, enquanto, para os modernos ela se define essencialmente pela expressão subjetiva.
Embora vários poetas da Antiguidade tenham se dedicado tenham se dedicado à composição de poemas líricos, esse gênero literário não era tão valorizado quanto o épico ou o dramático.
Foi somente no Renascimento italiano que a poesia de expressão subjetiva ganhou o renascimento equivalente ao dos demais gêneros. Isso aconteceu quando o gosto do público leitor foi conquistado pela poesia amorosa de Petrarca e seus seguidores. Desse momento em diante, consolidou-se a identificação da lírica como um dos três grandes gêneros literário.
Formas da lírica
Desde o nascimento da lírica, vários foram as estruturas utilizadas na composição de poemas. Algumas se tornaram mais conhecidas, uma vez que permaneceram em uso ao longo dos séculos. São elas:
A elegia: poema surgido na Grécia Antiga que trata de acontecimentostristes, muitas vezes enfocando a morte de um querido ou de alguma personalidade pública.
A écloga: poema pastoril que retrata a vida bucólica dos pastores, em um ambiente campestre.
A ode: poema também originado na Grécia Antiga que exalta valores nobres, caracterizando-se pelo tom de louvação.
O soneto: a mais conhecida das formas líricas. Poema de 14 versos, organizados em duas estrofesde quatro versos (quartetos) e duas estrofes de três versos (terceto).
Recursos poéticos
Quando lemos um texto, nossa atenção costuma se voltar para o sentido das palavras. Ao fazer isso, analisamos seu aspecto semântico. As palavras, porém, também têm uma sonoridade muito explorada pela literatura. Essa sonoridade é a base para a construção de recursos poéticos, como ritmo, o metro e a rima.
Ritmo pode ser definido como um movimento regular, repetitivo. Na música, é a sucessão de tempos fortes e fracos que estabelece o ritmo. Na poesia, ele é marcadoprincipalmente pela alternância entre acentos (sílabas átonas/tônicas) e pausas.
O metro é o número de sílabas métricas de um verso. A contagem dessas silabas chama-se metrificação. Quando contamos sílabas em um verso, não devemos considerar as que ocorrem após uma sílaba tônica do verso.
Rima é a coincidência ou a semelhança de sons a partir da vogal tônicano fim dos versos.






